John e Jonathan
Adis
Olá a todos, meu nome é Adis Simidzija e vocês estão ouvindo o podcast Vozes Paralelas. Este podcast nos leva ao universo de adolescentes imigrantes que tentam criar raízes em sua nova sociedade quebequense. As vozes que vocês acabaram de ouvir são as de Jonathan e Jhon. Com eles, tive o prazer de conversar sobre diferentes aspectos da integração, os efeitos do exílio na socialização e a amizade que nasceu graças às atividades do SANA Trois-Rivières. Como primeiro tema, falamos sobre a primeira neve e sobre o que sentiram ao pegar o avião para vir ao Quebec.
Jonathan
Toda a minha família e meus amigos ficaram no México porque não tinham condições de vir. Então viemos sozinhos, com meu pai, minha mãe, meu irmão e eu. Toda a minha família ficou lá. Quando cheguei aqui, em novembro de 2017, senti muito frio, porque venho de um país onde faz muito calor. Lá é normal fazer cerca de 30 graus. Então foi um choque cultural. Eu me lembro bem porque foi uma experiência muito boa: era a primeira vez que eu viajava de avião. Quando cheguei a Toronto e vi a neve, achei legal. No começo, morávamos em Toronto, mas agora moramos aqui porque tudo lá era muito caro e o trabalho do meu pai não rendia o suficiente. Então ele mudou de emprego e nos mudamos para Trois-Rivières. Todo fim de semana, faço chamadas de vídeo com meus avós, meus primos e toda a minha família.
Jhon
Cheguei ao Canadá em fevereiro de 2020. Também era a minha primeira vez em um avião, e foi tipo “uau”, uma experiência muito boa. Cheguei no inverno, e como só tinha visto a neve em filmes, comecei a brincar com meu irmão. Já faz quase dois anos que estou aqui. Primeiro cheguei em Saint-Jérôme, e depois de um ano nos mudamos para cá. O mais difícil foi o choque do clima, porque venho de um país muito quente. Passar do calor para o frio é muito diferente. Eu só tinha roupas leves, como shorts e calças, então no aeroporto me deram roupas de inverno porque fazia muito frio.
Adis
Chegar a um novo país na adolescência, e ainda por cima no meio do ano escolar, não é fácil. Jonathan e Jhon tiveram que esperar antes de entrar na escola, principalmente porque Jhon chegou em plena pandemia.
Jonathan
No começo, tentamos encontrar escolas, mas nenhuma nos aceitava porque não falávamos francês. Então fomos para aulas de francização na escola Sainte-Thérèse, e foi lá que aprendi francês. Agora consigo me virar um pouco.
Jhon
Quando cheguei, estava com dois amigos colombianos que também falavam espanhol. Estávamos procurando uma escola e um apartamento, porque estávamos em um hotel, mas não podíamos ficar lá por muito tempo. Enquanto isso, procurávamos onde morar e uma escola. Quando entrei na escola, achei tudo muito diferente da Colômbia: tinha armários, uma cafeteria… Na Colômbia também tem cafeteria, mas não dentro da escola. A escola aqui é muito grande, com muitas salas. Na cafeteria, há muitos tipos de comida diferentes, porque a alimentação é diferente. Fui para a francização para aprender francês, mas não entendia quase nada. Ficava no celular e conversava com outros colombianos.
Adis
Os jovens imigrantes não participam da decisão de sair do país. Como vocês reagiram?
Jhon
Na minha cidade tem muita violência, então é melhor estar aqui. Além disso, há melhor qualidade de vida e mais futuro. Mas no momento foi um choque. Quando minha mãe me disse que iríamos para o Canadá, eu não queria. Queria ficar com minha família e meus amigos.
Jonathan
Acho que foi uma boa decisão sair do México, mas gostaria de estar lá porque toda a minha família está lá. Mas aqui temos uma qualidade de vida melhor.
Adis
Quais são os sonhos de vocês?
Jonathan
No futuro, gostaria de trabalhar com aviões, como meu pai. Quero ser engenheiro aeronáutico e ajudar a construir aviões.
Jhon
Quero ser médico, porque várias pessoas da minha família são médicas. Também quero viajar e ter meu próprio hospital.
Adis
A amizade é essencial na integração.
Jonathan
Na francização fiz muitos amigos de diferentes culturas. Isso me ajudou a conhecer mais o mundo. Agora também tenho amigos quebequenses, porque estou na classe regular.
Jhon
Em Saint-Jérôme foi difícil. Eu era muito tímido e não falava com ninguém, só com outros colombianos. Mas aqui me soltei mais e comecei a falar com mais pessoas.
Jonathan
Nos conhecemos na francização e também no SANA.
Jhon
Sim, mas eu era muito tímido, então falava principalmente com o Jonathan.
Adis
A pandemia teve um grande impacto.
Jonathan
No começo eu estava em Toronto. Nos mudamos porque tudo ficou muito caro. Tive aulas online, depois tudo voltou ao normal. Foi difícil porque eu não tinha um bom computador e não sabia francês.
Jhon
Cheguei em plena pandemia e foi muito difícil. Não havia muitos apartamentos nem escolas. Durante seis meses, fiquei em casa sem contato com a sociedade.
Jonathan
No começo não tinha medo, mas peguei COVID e foi difícil. Passávamos o tempo em família vendo filmes, e me aproximei mais do meu irmão.
Jhon
Minha mãe é muito cuidadosa, então fazíamos tudo para não ficar doentes. Brincávamos e fazíamos piadas em família.
Adis
Como vocês se sentem na sociedade?
Jh*on
No começo eu achava que não era aceito, mas não era verdade. Agora sinto que sou aceito.
Jonathan
Eu me senti bem aceito.
Jhon
A música me ajudou muito: aprendi violão e converso com pessoas de outras culturas.
Jonathan
O esporte também ajuda: quando jogamos, todos somos iguais.
Adis
O que diriam para vocês mesmos no passado?
Jonathan
Que aprendam línguas e façam amigos.
Jhon
Que não sejam tímidos e que falem com mais pessoas.
Adis
E para o futuro?
Jonathan
Que você consegue, que pense positivo e realize seus sonhos.
Jhon
Que você consiga tudo, que tenha seu hospital e cuide da sua família.